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Mundo Interessante

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Vasco da Gama


Navegador (1468-1524).

Marinheiro de grandes méritos, capitaneou a armada portuguesa que no fim do século XV ligou pela primeira vez por via marítima a Europa à Índia, dando início ao colonialismo da península hindustânica e alterando de forma profunda o jogo das trocas comerciais e a correlação de forças então existente entre as diferentes culturas.

Filho de Isabel de Sodré e Estêvão da Gama, alcaide-mor de Sines, as informações sobre a sua vida antes de partir para a Índia são algo contraditórias. Segundo Garcia de Resende, seria um fidalgo que frequentava a corte de D. João II, tendo tomado parte, como marinheiro, em ações contra piratas nas costas portuguesa e marroquina. Teria mesmo comandado uma armada que, em 1492, lutou contra corsários franceses. Mais certo é que terá feito expedições ao Golfo da Guiné, viagens que serviam de escola aos navegadores portugueses quatrocentistas, durante as quais adquiriu conhecimentos da navegação no mar alto. Já com menos certeza, terá realizado viagens secretas ao Atlântico Sul e mesmo até no Índico.

A escolha de Vasco da Gama como comandante da armada que haveria de chegar à Índia terá pertencido a D. João II, o Príncipe Perfeito, que preparou a viagem até ao pormenor, vindo entretanto a morrer cabendo ao seu sucessor, D. Manuel I, a glória de mandar avançar a armada.

Trajeto da viagem de Vasco da Gama à Índia

A frota partiu do Restelo, em Lisboa, a 8 de Julho de 1497, incluindo três naus (São Gabriel, São Rafael e Bérrio, podendo esta última ser uma caravela) e um navio de mantimentos, destinado a ser destruído quando se tornasse desnecessário. Depois da passagem por Cabo Verde (27 de Julho), a frota fez uma longa inflexão em arco para Sudoeste, afastando-se da costa africana, por forma a atingir o Sul do continente sem enfrentar ventos adversos. Após três meses no mar alto, os navios tocaram Santa Helena (8 de Novembro) e ultrapassaram o Cabo da Boa Esperança (22 de Novembro). Fundearam então na Angra de S. Brás, onde o navio de mantimentos foi destruído e os restantes barcos se abasteceram de água. Vasco da Gama seguiu então para Norte, chegando à foz do Quelimane, a 23 de Janeiro de 1498, onde mandou reparar as naus. A 2 de Março, os navios chegaram à ilha de Moçambique, seguindo-se Mombaça (7 de Abril) e, cinco dias depois, Melinde, contratando-se ali um piloto muçulmano que conhecia bem o Índico e que conduziu os portugueses até ao porto de Calecute, onde a armada aportou a 20 de Maio, dez meses depois de ter partido de Lisboa.

Os portugueses tinham chegado à Índia, tornando-se donos e senhores da rota mercantil mais apetecida, devido aos preços que as especiarias atingiam na Europa, onde eram pagas a peso de ouro. Depois de uma penosa viagem de regresso - durante a qual se perdeu a São Rafael e o próprio irmão do comandante, Paulo da Gama -, Vasco da Gama chegou a Lisboa nos finais de Agosto de 1498, sendo acolhido em triunfo.

Elevado ao posto de Almirante dos Mares da Arábia, Pérsia, Índia e de todo o Oriente, a 10 de Fevereiro de 1502 voltou a partir para a Índia, agora já à frente de uma poderosa armada, de 20 embarcações, que visa estabelecer as bases de um império português no Oriente. Regressou ao reino mais uma vez em glória. Coberto de títulos e benesses, duas décadas mais tarde partiria uma terceira vez à Índia. Elevado à condição de vice-rei, já por nomeação do sucessor de D. Manuel I, D. João III, Vasco da Gama partiu de Lisboa a 9 de Abril de 1524. Contudo, apenas três meses depois de ter aportado ao subcontinente indiano, morreu em Cochim, onde foi sepultado.

Tumba de Vasco da Gama no Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa) 

Mais tarde, o seu corpo seria trasladado para a Vidigueira (de que era conde e senhor) e, já no século XIX, passaria para o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Alguns dos sete filhos que teve da sua mulher, D. Catarina de Ataíde, seguiram o destino do pai e ocuparam postos de relevo nas possessões portuguesas do Oriente.