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Mundo Interessante

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Terceiro Reich

Adolf Hitler, o Führer do Terceiro Reich

O acesso de Hitler à chancelaria, a 30 de Janeiro de 1933, não aconteceu de acordo com as condições por ele exigidas, uma vez que para o deter havia no seu ministério nove membros não filiados no partido, entre os quais figurava, como vice-chanceler, von Papen. A 1 de Fevereiro, com a autorização de Hindenburg, Hitler dissolveu o Reichstag e convocou novas eleições. Os nazis fizeram uma grande campanha de propaganda e atribuíram aos comunistas o incêndio que, a 27 de Fevereiro, destruiu quase por completo o edifício do Reichstag. Nas eleições, os nazis conseguiram 288 lugares (quase 44%) que, somados aos da representação nacionalista, deram ao Governo uma clara maioria. O novo Reichstag reunido em Potsdam, em 23 de Março, aprovou a ditadura de Hitler por um período de 4 anos, atribuindo ao presidente como funções exclusivas: o direito de demitir os membros do Governo, o comando supremo do Reichswehr e o poder de proclamar a lei marcial. Iniciou-se uma verdadeira revolução que deu aos nazis o domínio completo da Alemanha e antes dos fins de Julho foram dissolvidos todos os partidos políticos, excepto o nacionalista. Em Outubro de 1933 a Alemanha retirou-se da Conferência do Desarmamento e anunciou a sua saída da Sociedade das Nações ao terminar o período estatutário de dois anos; o Governo alemão declarou a sua intenção de aumentar o Exército.

Em Junho de 1934, Hitler ordenou uma purga dentro do seu próprio partido que se traduziu na detenção e fuzilamento de vários dirigentes. O assassínio do chanceler austríaco Dollfuss, a 25 de Julho, lançou suspeitas sobre o Governo alemão; quando Mussolini ameaçou defender, pela força, a independência da Áustria, Hitler repudiou a acção do seu embaixador em Viena, Kurt Rieth, que acusou de ter favorecido a fuga, para a Alemanha, dos nazis austríacos responsáveis pelo assassínio de Dollfuss. A morte de von Hindenburg, a 2 de Agosto de 1934, eliminou o último obstáculo que se opunha ao acesso de Hitler ao poder supremo. Este, ao considerar-se responsável perante o povo alemão e não perante o Reichstag, obrigou os membros do seu gabinete a prestar juramento e lealdade perante a sua pessoa.

Em resultado do plebiscito do Sarre em Janeiro de 1935, esse território voltou para a Alemanha a 1 de Março de 1935. Quinze dias depois, Hitler anunciou ao mundo o propósito de restabelecer o serviço militar obrigatório, que tinha sido proibido pelo Tratado de Paz de Versalhes. A 18 de Junho anunciou um acordo naval com o Reino Unido, pelo qual a Alemanha podia dispor de uma frota de superfície equivalente a 35% da inglesa e uma frota submarina equivalente a 45%. De acordo com os desígnios do marechal Goering, as forças aéreas alemãs, proibidas pelo Tratado de Versalhes, igualavam a 2 de Agosto as de qualquer nação, sendo compostas por aviões moderníssimos. Um ano depois da implantação do serviço militar obrigatório, a 7 de Março de 1936, Hitler remilitarizou a Renânia e repudiou o Tratado de Versalhes e o Pacto de Lucarno. A 19 de Outubro, Goering recebeu poder absoluto para levar a cabo um plano de quatro anos de desenvolvimento económico que previa o controlo estatal de todas as empresas alemãs.

O ministro dos Assuntos Eclesiásticos, Doutor Kerrl, chegou a controlar todos os assuntos da Igreja Luterana, mas não foi tão fácil a solução do problema com a Igreja Católica, razão pela qual a polícia efetuou contínuas ingerências nas ordens católicas de frades e freiras. A perseguição dos Judeus alcançou o seu momento culminante a 10 de Novembro de 1938, com uma onda de destruição, saques e incêndios em represália pelo assassínio de Ernst von Rath, secretário da embaixada alemã em Paris, executado por um judeu chamado Herschel Grunszpan. A 25 de Outubro de 1936, a Alemanha e a Itália assinaram um acordo de cooperação política e económica na bacia do Danúbio. As relações entre as duas potências estreitaram-se no eixo Roma-Berlim, com o pacto anticomunista assinado em Roma, em 6 de Novembro de 1937 pela Alemanha, Itália e Japão.

A 12 de Fevereiro de 1938, o chanceler austríaco Schuschnigg visitou Hitler em Berchtesgaden e, perante a atitude ameaçadora do mesmo, teve de admitir no seu governo como ministro do Interior, o simpatizante nazi Arthur Seyss-Inquart, partidário da união austro-alemã. Um ultimato alemão, reforçado pela ameaça de invasão armada, obrigou Schuschnigg a demitir-se, sucedendo-lhe Seyss-Inquart. Este mobilizou as forças alemãs e a 12 de Março cruzaram a fronteira cerca de 50 000 soldados alemães tendo, seguidamente, Hitler proclamado a anexação da Áustria.

Como mais de 3 500 000 alemães da Checoslováquia viviam junto à fronteira do país, nos Sudetas, o partido pró-nazi de Konrad Henlein pediu a sua autonomia. A Checoslováquia que contava com o apoio moral da França, Inglaterra e União Soviética, opôs-se às pretensões de abrandar a pressão sobre essas regiões. Em Setembro de 1938 a Alemanha reavivou as pressões, Hitler declarou abertamente o fim dos Sudetas e preparou-se para invadir a Checoslováquia. Quando na Europa se reconhecia a iminência da guerra, Hitler, Chamberlain, Daladier e Mussolini reuniram-se em Munique a 29 de Setembro de 1938 e assinaram um acordo pelo qual se evitava a guerra, mas a Checoslováquia entregava à Alemanha a região dos Sudetas. Este êxito da política externa alemã colocou o país numa situação preponderante no centro e oriente da Europa, pondo fim à hegemonia francesa na Europa continental.

A Eslováquia, que durante muito tempo tinha desejado a autonomia, obteve, com o apoio de Berlim, a independência total de Praga a 14 de Março de 1939. O presidente checo Hacha solicitou a ajuda de Hitler, as tropas alemãs avançaram sobre Praga, e a 15 de Março a Boémia e a Morávia tornaram-se protetorados alemães.

Por desejo próprio, a Eslováquia converteu-se, em 16 de Março, em protetorado. Em vinte do mesmo mês, Hitler pediu à Lituânia a devolução de Memel, tendo o país báltico tido de ceder, embora mantivesse portos livres em Memel e a integridade do seu território.

A política expansionista da Alemanha, inicialmente limitada aos territórios povoados por alemães, adquiriu novo impulso com a inclusão dos checos e eslovacos, propagando-se em vários países o temor da expansão nazi à Roménia, Ucrânia, Danzig e ao Corredor Polaco. A reação do Reino Unido traduziu-se no abandono da política de apaziguamento, garantindo, em Abril, ajuda à Polónia no caso da agressão por parte da Alemanha.

No seu discurso de 28 de Abril de 1939, Hitler denunciou o acordo naval anglo-germânico e cancelou o pacto de amizade e não-agressão polaco-germano de 1934. Exigiu a devolução de Danzig, e o controlo de uma estrada e de uma linha de caminho-de-ferro, através do Corredor Polaco; a Polónia recusou essas condições e declarou-se disposta a lutar pela sua independência. Entretanto, o Reino Unido deu garantias de apoio à Roménia, Grécia e Turquia, no caso de eventuais ataques germânicos. A 7 de Maio de 1939, o eixo Roma-Berlim transformou-se numa verdadeira aliança político-militar.

A 21 de Agosto de 1939, a Alemanha e a União Soviética assinaram um pacto de não-agressão, ratificado em 31 do mesmo mês. Perante a concentração de tropas alemãs na Eslováquia, a Polónia, França e Inglaterra decretaram a mobilização geral. A 1 de Setembro, as tropas alemãs invadiram a Polónia e a 3, a França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Nos finais de Setembro a Alemanha já tinha conquistado a Polónia. Em Junho de 1940, apoderou-se da Noruega, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França. Após a derrota francesa, a Alemanha atacou, pelo ar, a Inglaterra, a 22 de Junho de 1941, e invadiu a União Soviética, com êxito nas primeiras campanhas. Em 1943, os soviéticos contra-atacaram com sucesso, avançando no ano seguinte até à Alemanha. Em Junho de 1944 os Aliados invadiram o continente e, em consequência do avanço aliado a Oeste e do soviético a Este, a Alemanha foi derrotada e rendeu-se a 7 de Maio de 1945.