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Mundo Interessante

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Restauração da Independência


D. Sebastião (1568-1578) pensa que o poder dos Turcos chegou ao Magreb e ameaça a cristandade. É para fazer face a esse perigo que organiza em 1578 uma forte expedição militar ao Norte de África. Mas todo o Exército português é destruído e ele próprio perde a vida na batalha de Alcácer Quibir. A Coroa passa ao último filho vivo de D. Manuel I, o Cardeal D. Henrique; por morte deste (1580), a sucessão é disputada entre os netos de D. Manuel. O povo apoia D. António, filho ilegítimo do infante D. Luís; a nobreza prefere Filipe II de Espanha, filho da infanta D. Isabel. Um exército espanhol derrota as poucas tropas de D. António, e Filipe é aclamado Rei nas Cortes de Tomar. O regime político é o da união das coroas, mas separação das administrações: burocracia, justiça e moeda seriam portuguesas.

Entre 1580 e 1620 há progresso económico e estabilidade política. Os nobres são tratados generosamente; obtêm lugares na corte de Madrid; os comerciantes ganham com a supressão da fronteira terrestre. Só o povo lamenta a independência perdida e espera o regresso de D. Sebastião (sebastianismo). A situação modifica-se a partir de 1620. O Estado, privado da maior parte da receita oriental, agrava a carga tributária. A autonomia administrativa sofre então limitações, o que gera resistências. O comércio nacional regista prejuízos graves; os inimigos da Espanha apresam, entre 1623 e 1638, mais de 500 navios carregados de mercadoria de negociantes portugueses.

Em 1639 eclodiu na Catalunha um movimento separatista, e os nobres portugueses foram mobilizados para a guerra. Um grupo de fidalgos conjura-se para restaurar a independência, contando com o apoio militar dos países inimigos da Espanha. O trono é oferecido a D. João, duque de Bragança, trineto de D. Manuel; perante a hesitação deste, chega-se a pensar numa república. A revolução começa por um golpe de mão no palácio real (primeiro de Dezembro de 1640); a população de Lisboa adere imediatamente, e as pequenas guarnições espanholas rendem-se sem luta. O novo rei, D. João IV (1640-1656), é solenemente aclamado em Lisboa, quinze dias depois. No ano seguinte, a alta nobreza e parte do alto clero e alta burguesia tentam uma contra-revolução, reprimida com a execução de alguns fidalgos.

A guerra com Espanha só termina em 1668. A vitória portuguesa explica-se pela situação espanhola, envolvida em guerras noutras frentes europeias, e pela ativa adesão da população à causa portuguesa. Quando em 1663 um exército espanhol entrou em Évora e se aproximou de Lisboa, a população alistou-se em massa para a contra-ofensiva, que terminou pela vitória do Ameixial. No Brasil e em Angola foram brasileiros e portugueses, aliados aos nativos, que expulsaram os holandeses e restauraram a independência.