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Mundo Interessante

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Primeira Guerra Mundial


Foram vários e complexos os factores que desencadearam o primeiro grande conflito mundial, que se travou de Julho de 1914 a Novembro de 1918 e no qual se envolveram países de todos os continentes. Entre as principais causas figuram o nacionalismo, o imperialismo económico, a política de pactos secretos, bem como a corrida ao armamento.

Durante mais de quatro décadas, desde o fim da Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), o Velho Continente encontrava-se num clima belicista e embora não houvesse um conflito aberto, as diferentes ambições das grandes potências tinham entrado em choque, criando uma consequente corrida às armas. Nos diversos países, o nacionalismo manifestava-se sob diferentes formas, o que também criava choques de aspirações e ambições.

O Império Austro-Húngaro via a sua estabilidade ameaçada pelo sentimento de independência das minorias eslavas, que se inspiravam no pan-eslavismo do Império Russo. Por sua vez, a Alemanha, em fase de extraordinário desenvolvimento económico, tinha como objetivo a expansão dos seus territórios coloniais, bem como uma posição de supremacia na Europa, o que ameaçava seriamente outras potências. Em França, o sentimento nacionalista era marcado pela vontade de vingança pela derrota de 1871, visando a recuperação da Alsácia-Lorena.

Por outro lado, o imperialismo económico e a consequente luta pela conquista de mercados, de fontes de matéria-prima e de campos de inversão de capitais, dava frequentemente origem a querelas entre nações, sobretudo depois de a Alemanha e a Itália, após conquistarem a unidade nacional, entrarem na competição.

Refira-se que no princípio do século franceses e britânicos se tinham assumido como grandes potências coloniais, enquanto os russos consolidavam a sua expansão na Ásia. Os alemães, conscientes da sua força, sentiam-se asfixiados e reclamavam uma posição à altura das suas potencialidades, nem que para isso fosse necessário recorrer à força. Como consequência, a expansão colonial, económica e naval alemã provocava a rivalidade com o Reino Unido, que via a supremacia dos mares ameaçada.

Em 1904, britânicos, franceses e russos formaram uma aliança militar, a Tríplice Entente, de forma a responder a acordo idêntico, existente há mais de duas décadas entre a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e a Itália – a Tríplice Aliança. A Europa ficava, assim, perigosamente dividida e essa divisão ficou bem demonstrada quando a 28 de Junho de 1914 foi assassinado o arquiduque Francisco Fernando. O arquiduque, herdeiro do debilitado Império Austro-Húngaro, foi morto com a sua mulher, em Sarajevo, na Bósnia, por um nacionalista sérvio (Gabriel Princip). Com o imperador Francisco José fraco e de idade avançada, a linha dura austro-húngara viu no atentado uma excelente oportunidade para reavivar o império e, apesar dos esforços de outras potências, especialmente da Grã-Bretanha, declarou, a 28 de Julho, guerra aos sérvios, contando com o apoio do kaiser. O facto gerou a ira da Tríplice Entente e deu origem à abertura declarada de hostilidades entre diferentes estados, não só à escala europeia, mas também mundial.

Pouco depois, a Rússia, que se considerava protectora dos eslavos balcânicos, iniciou a mobilização das suas forças. No dia 31 de Julho a Alemanha proclamou estado de guerra e enviou um ultimato à Rússia.

Numa rápida sucessão de acontecimentos, a 1 de Agosto teve lugar a declaração de guerra alemã à Rússia e a mobilização geral da Alemanha e da França. No dia seguinte, a Alemanha ocupou o Luxemburgo e fez um pedido de passagem de tropas alemãs pela Bélgica. Logo em seguida, a Alemanha declarou guerra à França e invadiu a Bélgica e, no dia 4, declarou guerra à Bélgica. Como resposta, o Reino Unido enviou um ultimato aos alemães, em protesto contra a violação da neutralidade belga, e declarou guerra à Alemanha. A 6 de Agosto era a Áustria que declarava guerra à Rússia e no dia 8 o Montenegro entrava também no conflito contra a Áustria. Seguiu-se a Sérvia a declarar guerra à Alemanha e a França à Áustria. A 12 de Agosto a Grã-Bretanha declarou também guerra à Áustria e uns dias mais tarde o Japão entrou no conflito contra a Alemanha. A 25 de Agosto a Áustria declarou guerra ao Japão e, a 28 de Agosto, à Bélgica.

Em Outubro, a Turquia uniu-se às potências centrais e, a prazo, o bloco aliado seria consideravelmente reforçado com a entrada no conflito da Roménia, de Portugal e da Grécia. Mas seriam os americanos, com o seu poderio, a desequilibrarem a balança e a pôr termo à guerra, que resultou na desagregação dos impérios austro-húngaro e otomano.

Para Portugal, a presença de tropas na Flandres resultou na preservação dos territórios africanos, pagos com o banho de sangue da Batalha de La Lys, onde milhares de soldados lusos passaram por uma terrível guerra de trincheiras.