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Mundo Interessante

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Os frades jerónimos

A Ordem de S. Jerónimo desponta na Itália em 1377, na sequência de um movimento piedoso animado por Tommasucio da Duccio, originariamente membro da Ordem Terceira de S. Francisco. Retirados do mundo, os frades jerónimos, segundo os preceitos do seu fundador, pretendiam, naturalmente, imitar a vida de S. Jerónimo, ele mesmo um eremita do deserto, mas também e sobretudo um importante intelectual cristão, que nos tempos primitivos e nas primícias da religião reviu a tradução latina do Novo Testamento e traduziu do grego para o latim o Antigo Testamento, entre os anos 382 e 405.


 


A entrada da Ordem em Portugal dá-se no século XIV, mas a implantação e consolidação da Ordem haveria de se fazer com D. Manuel.


 


À parte a sua comprovada devoção por S. Jerónimo - o que o leva a escolher o santo para o acompanhar na estátua «ao natural» do portal ocidental -, a sua inclinação para os monges hieronimitas fica a dever-se a um sentido de renovação da espiritualidade, uma vez que as outras ordens manifestavam a usura do tempo e, em alguns casos, laxismos vários. A espiritualidade claustral hieronimita era, por essência, contemplativa e é quase certo o papel que os Jerónimos desempenharam na atualização da devoção cristã através da maior atenção que, de uma maneira também reformista, concediam à Vida de Cristo como parâmetro exemplar e de imitação jubilosa. O programa decorativo do piso térreo do claustro dos Jerónimos tem a ver com este vector fundamental da contemplação monástica, mas também com a importância que a oração «interior» desempenhava na prática dos monges, pelo que necessitariam, para tal, de símbolos que os levassem a interiorizar os Passos da Paixão de Cristo e a Vida de Jesus.