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Mundo Interessante

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Os defensores dos direitos dos animais

Para compreendermos porque muitas pessoas defendem com tanta paixão os supostos «direitos» dos animais, basta olharmos para a forma como atualmente colocamos a questão do sofrimento dos seres vivos. Como sempre, o homem julga-se medida de todas as coisas, e assim pensa que só os animais maiores sofrem; todo o tipo de organismos em que não compreendemos a biomecânica do sofrimento, ficam fora de jogo. Quando nos apercebemos que conseguimos sentir o sofrimento de tal animal, dizemos que esse sofre de certeza, mas quanto aos insectos, microorganismos e plantas, cuja biomecânica do sofrimento desconhecemos, dizemos que não conseguem sentir dor. Por causa deste chauvinismo, temos tanta vontade de evitar que um cão sofra, embora desprezemos o sofrimento, por exemplo, que as pulgas nesse cão também certamente sofrem.

Com esta noção em mente, a origem dos direitos dos animais fica revelada perante nós: é a impotência perante o sofrimento a causa deste movimento pós-moderno. Aqueles demasiado fracos, os que aspiram a ar puro e a céu azul, os toscos e os hipersensíveis, querem eliminar o sofrimento dos animais porque não conseguem suportar a dor - mesmo apenas como espectadores -, não têm forças para a assimilar psicologicamente. Aqui já percebemos a verdade: este movimento em prol do bem-estar animal é puro egoísmo daqueles que o defendem, nunca é altruísmo. «Eu não consigo suportar a dor, logo não quero dor no mundo», assim pensa, muitas vezes sem saber, o pós-moderno defensor de toda a vida.

O sofrimento é uma resposta fisiológica do organismo, serve para preservar a sua integridade com vista à sobevivência imediata. Logo, é lógico que todos os organismos possuam essa resposta fisiológica, embora esta se manifeste nos mais variados graus. É o egoísmo humano em ação quando se atribui apenas aos animais maiores a faculdade de sentir dor, do mesmo modo que continua a estar esse egoísmo no comando quando se quer eliminar a dor. Em ambos os casos, o homem coloca-se no centro do mundo.