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Mundo Interessante

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O suplício dos Távoras

No dia 3 de Setembro de 1758, o rei D. José foi vítima de um atentado em Lisboa. A partir daí, sob a acusação da prática dos crimes de Traição e Lesa-Majestade, procedeu-se a uma perseguição a membros de algumas das principais famílias da nobreza de Portugal, especialmente ao Duque de Aveiro e ao Marquês de Távora. Tal perseguição culminou num julgamento de cunho político repleto de irregularidades jurídicas e numa execução bárbara com requintes de crueldade.

Oliveira Martins, em História de Portugal, descreve da seguinte forma o suplício dos Távoras:

"D. Leonor de Távora foi degolada e morreu nobremente. Seguiu-se o segundo filho, quase imberbe e louro (...) Estenderam-no sobre a aspa, quebraram-lhe os ossos a maço e garrotaram-no; mas como a corda partiu, o infeliz acabou lentamente. Apareceu então o marquês de Távora, cuja mulher passava por amante do rei. D. José, dizia-se, desonrara-o primeiro: depois matava-o barbaramente. Veio logo o conde de Atouguia e mais três cúmplices (...) Depois de um descanso, prosseguiu a hecatombe. Entrou primeiro em cena o velho marquês de Távora: mostraram-lhe os cadáveres da esposa e dos filhos, deitaram-no na aspa, esmigalhando-lhe os ossos. O desgraçado gemia; mas o horror pavoroso dos gritos veio da execução do duque de Aveiro. O Ferreira, que dera os tiros contra o rei, foi untado de breu, com um saco de pez e enxofre ao pescoço, queimado vivo e assado lentamente (...)"