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Mundo Interessante

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O Cavalo de Turim

Um dos melhores filmes que vi nos últimos anos foi o último de Béla Tarr: O Cavalo de Turim. Após o colapso psicológico do filósofo Friedrich Nietzsche, que impediu um homem de açoitar o seu cavalo e se abraçou, em lágrimas, ao animal, no dia 3 de janeiro de 1889, em Turim, seguimos a vida do cavalo, do dono e sua filha. Encerrados num meio rural desolado, seis dias monótomos da existência patética do pai e da filha passam envolvidos numa dissolução crescente dos seus rituais domésticos. A causa da decadência é a ascensão da plebe no tecido da sociedade, tal como a terceira personagem do filme anunciou e a visita dos ciganos confirmou. A escuridão final na casa simboliza a vitória final dos escravos na moral. A decadência que afeta o pai e a filha ao longo dos dias naquela sombria casa equivale à decadência do tipo-homem ao longo da história universal. O que se passa na pequena casa é o que se passa no mundo: dissolução dos rituais e o fim dos homens superiores que iluminavam o horizonte humano. Esta é a minha interpretação da obra-prima de Béla Tarr.