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Mundo Interessante

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Lutas Liberais em Portugal

Após a vitória dos exércitos luso-ingleses sobre as tropas napoleónicas, a regência de Portugal, com o rei e a corte no Brasil, torna-se refém dos ingleses. Contra tal domínio realiza-se no Porto, em 24 de agosto de 1820, um pronunciamento militar apoiado pelo Sinédrio, associação secreta para-maçónica fundada por liberais. Na sequência de tal ação, que obtém a adesão popular, é criada a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, de maioria burguesa. Os conservadores insurgem-se e desencadeiam a Martinhada (golpe em dia de São Martinho), mas são dominados. Estavam criadas as divisões entre liberais e absolutistas, que, durante 14 anos, seriam condimento para a guerra civil.


Liberdades (1821/22)


Entre as primeiras medidas instituídas pelos liberais, avultam a extinção do Tribunal do Santo Ofício e a abolição da censura prévia. Entretanto o rei D. João VI regressa, contra a sua vontade, do Brasil, que proclama a independência. Já em Lisboa, jura a contragosto a Constituição de 1822 (no que não é seguido pela rainha Carlota Joaquina). Assim se inicia o exercício efetivo da monarquia constitucional.


Vilafrancada (1823)


Revolta liderada por D. Miguel e absolutistas, em Vila Franca de Xira, de que resulta, designadamente, a suspensão da Constituição de 1822, a nomeação de nova Junta e a auto-suspensão dos trabalhos das Cortes Gerais Extraordinárias, onde alguns deputados juram «liberdade ou morte».


Abrilada (1824/26)


Golpe absolutista, com sequestro do rei D. João VI. Este, após intervenção do corpo diplomático, refugia-se num navio inglês, fundeado no Tejo. Daí determina o exílio do infante D. Miguel, líder da rebelião, para Viena. Antes de morrer, D. João VI nomeia um Conselho de Regência, para evitar a subida ao poder de D. Carlota Joaquina, apoiante de D. Miguel.


Impasse (1826/28)


Após um período de indefinição política, D. Pedro I, imperador do Brasil, outorga a Carta Constitucional, abdica dos seus direitos à coroa portuguesa em favor de sua filha, que se propõe casar com o tio D. Miguel, e nomeia este seu lugar-tenente, incumbindo-o de assegurar a regência durante a menoridade de D. Maria da Glória. D. Miguel promete jurar a Carta Constitucional e regressa do exílio.


Terror e insurreição (1828/32)


Após jurar a Carta Constitucional, D. Miguel contraria as suas promessas e retoma poderes absolutos. Um grupo de lentes de Coimbra que vai a Lisboa homenageá-lo é assassinado por estudantes liberais. O terror miguelista responde com brutalidade, campeando por toda a parte. Uma regência liberal, presidida pelo duque de Palmela, é constituída nos Açores, com o apoio de D. Pedro, que entretanto abdica da coroa brasileira em favor de seu filho e vem comandar o exército liberal, com o qual desembarca no Mindelo e entra no Porto.


Cerco do Porto (1832)


Tropas miguelistas cercam o Porto, neutralizando uma força de oito mil liberais, comandados por D. Pedro, que assume a regência de Portugal, em nome de D. Maria II. É nomeado o governo de Mouzinho da Silveira, um dos principais reformadores do liberalismo português. O cerco do Porto dura um ano, gerando fome, epidemias e as divergências do desespero perante a iminência da vitória absolutista.


Reviravolta (1832/34)


Os liberais conseguem enviar uma força, liderada pelo duque da Terceira, por via marítima, para o Algarve. Esta força avança sobre Lisboa e, por fim, entra vitoriosa na cidade, invertendo o rumo dos acontecimentos. A batalha da Asseiceira é um dos confrontos decisivos, abrindo caminho para a aproximação de Santarém, último reduto miguelista.


Fim da guerra civil (1834)


Assinada na Convenção de Évora Monte. D. Miguel é exilado em Itália, com uma pensão de 60 contos anuais, que lhe será retirada depois de renegar a Convenção e de ameaçar os liberais com a reconquista do trono. A clemência com o adversário caracteriza a vitória dos liberais, que amnistiam os prisioneiros políticos, asseguram a posse dos bens pessoais aos vencidos e garantem a manutenção dos postos aos militares miguelistas.