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Mundo Interessante

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Crítica da pós-modernidade (VII)

A ausência de discernimento na pós-modernidade está bem patente na forma como entendemos o consumismo: erroneamente ainda consideramos o consumismo através dos conceitos «ser» e «ter»; diz-se que este trata-se apenas do aumento do desejo de ter em relação a ser. Com esta explicação, tentamos tratar um cancro não com quimioterapia mas sim com outro cancro...

O consumismo não é um problema, é um sintoma; considero este excesso de adquirições como uma consequência da nossa total incapacidade de resistir a estímulos (o ser humano sempre quis mais ter do que ser, apenas sentimos isso hoje mais intensamente devido ao facto de a nossa resistência ter colapsado). Em suma, estamos mais fracos, mais dispersos, mais estilhaçados do que os nossos antepassados.

O meu diagnóstico é simples: diminuição de pressão genética (a civilização conserva os genes daqueles que no ambiente selvagem teriam imediatamente perecido), seguido de uma diminuição de força anímica (liberalismo como dispersão dos instintos hierarquizados) e em último lugar uma diminuição acentuada de força psicológica (colapso de todos os valores na pós-modernidade). Ao longo de milhares de anos, os homens foram progressivamente desagregados e os seus instintos enfraquecidos - e o produto final somos nós.

Para travar o impulso do consumismo precisamos de transmutar água em gelo: reduzir drasticamente os nossos focos de atenção, ordenar os nossos instintos e pensamentos e forçar uma atitude a sobressair e a tornar-se dominante. Precisamos de ser mais sólidos, mais unificados. Isto só é possível sendo duros para com nós mesmos; sejamos tiranos para com as nossas fraquezas! Uma capacidade forte de resistência a estímulos impede que surjam consequências (como o consumismo) que só seriam possíveis a partir da fraqueza.