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Mundo Interessante

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Crítica da pós-modernidade (V)

Uma das mais acentuadas características da pós-modernidade é o comportamento de manada a que os homens se sujeitam. Sentimos que a maioria tem razão precisamente porque são mais a defenderem um tal ponto de vista ou uma tal causa. Mas a quantidade está longe de significar qualidade de opinião: quantos mais homens encontramos mergulhados num poço, de pior qualidade essa água deve certamente ser. O famoso comportamento que apelidamos de «viral» contribui para a decadência do homem pós-moderno - basta olharmos para as nossas redes sociais para confirmar que a sua desvalorização encontra-se extremamente avançada.

Dou um passo em frente para afirmar aquilo que todos já sabem: são os solitários que escondem uma sabedoria demasiado certa. Mas como podemos realmente compreender isso, quando ser solitário nos nossos dias é visto pelo rebanho como algo de bizarro? Poucos são aqueles que encontram o seu lugar numa vontade orgulhosa de solidão, uma vontade que evita ser infectada pelo vírus da mediocridade que os rodeia; do outro lado da barricada, a maioria insiste em traduzir essa orgulhosa solidão como algo de terrivelmente mau. No fundo, os pós-modernos já não conseguem libertar-se da teia de aranha em que estão presos, e assim, inconscientemente, enchem de vexames todos aqueles que querem fugir da ditadura dos grandes números.

Precisamos de encontrar um porto seguro no nosso íntimo que selecione as experiências a que queremos estar sujeitos. Evitemos ser arrastados por rios imundos que correm a céu aberto, cujas águas terminam por nos afogar numa orgia de informação fútil. Os pós-modernos carecem de uma faculdade que os antigos possuíam e que acarinhavam: gosto.