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Mundo Interessante

Mundo Interessante

Crítica da pós-modernidade (IV)

Desde sempre o homem teve a tendência de construir o mundo de acordo com a sua experiência singular - uma simples depressão basta para tornar o mundo cinzento, como se este fosse cinzento em si mesmo. Esquecemo-nos que existem inúmeras formas de experimentar a realidade, e dessa forma projetamos a ideia que temos de nós mesmos no estado das coisas que nos rodeiam. No fundo somos deuses que criam o mundo.

Que tipo de mundo existe para um pós-moderno? Forçosamente um mundo onde tudo carece de objetividade, uma perpétua desvalorização de todos os desideratos, uma náusea intensa pelo próprio homem. Pior do que isso, a nossa faculdade de pensar o mundo está seriamente comprometida: lemos o mundo de acordo com fórmulas pré-concebidas, excessivamente lógico-racionais. Não discutimos os sistemas assimétricos que nos são ensinados, como se a própria panóplia de experiências do mundo já tivessem sido todas concebidas. Falta aqui singularidade e força psicológica suficiente para refrescar a percepção que temos da realidade.

O que vemos hoje na nossa filosofia? Um desprezo absoluto pelos grandes pensadores de outrora como legisladores. O niilista está no paraíso, dado que faltam novas construções de normas pelas quais os homens se regem. «Não será tudo apenas retórica?», interroga-se o filósofo de hoje. O mundo desabou e tardamos a empreender a reconstrução. A pós-modernidade é um abismo no qual caímos, um abismo que devora aqueles que deveriam evitar cair em primeiro lugar: os pensadores que sempre foram a cura para todas as doenças da verticalidade.