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Mundo Interessante

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Crítica da pós-modernidade (III)

Será essa busca por conforto um «ideal»? Certamente que não, porque essa busca se baseia no imediatismo, no facilitismo, no utilitarismo. É precisamente a ausência de ideais que caracteriza a nossa ânsia em tornar a existência mais leve e menos perigosa.

Somos uma espécie de super-burguês: vivemos enterrados num sistema político-económico que atropela toda a elevação que ainda é possível. A própria noção de «homem superior», nos nossos dias de igualitarismo, já é motivo para uma grande gargalhada. «O que é isso de homem superior?», perguntamos com um sorriso malicioso. «Somos todos iguais» e «a liberdade de um indivíduo termina onde começa a liberdade de outro» são os nossos mandamentos.

Imaginemos uma existência de sofrimento: a nossa reação seria de repúdio e de compaixão. Do alto do nosso conforto, lançamos anátemas a todos aqueles que ainda são cruéis, perigosos, caóticos, maus; queremos abolir as dores do mundo, sem nos apercebermos que, dado que a vida é essencialmente conflito, o que realmente nos move é um ódio inconsciente a toda a existência pós-moderna - não à existência em si mesma. Estamos cansados de tudo o que nos rodeia, e culpamos o estar no mundo como a causa deste esgotamento da vitalidade.