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Mundo Interessante

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Crítica da pós-modernidade (II)

Um dos principais sinais da nossa fraqueza é certamente o ódio que vetamos ao sofrimento. Queremos erradicar do mundo todo o tipo de conflitos, dificuldades, dores e aflições. A sabedoria do sofrimento perdeu-se - aquela que conhece muito bem o preço a pagar pela grandeza. O sofrimento é o melhor conselheiro que podemos encontrar na vida, mas o que vemos no nosso tempo é desejo por ar puro e céu azul. O homem pós-moderno quer conforto, bem-estar e paz perpétua. Isto é já sinal da fraqueza de um organismo que não suporta dureza e que se encontra num estado hipersensível.

Sabemos que quando alguém tem um objetivo, suporta todas as dificuldades e faz por ultrapassar todas as adversidades; esse é o preço a pagar para atingirmos os nossos fins. Nessas alturas não consideramos as adversidades como odiosas nem desejamos que deixem de existir. O facto de, como sociedade, procurarmos o conforto a todo o custo, é já sinal de que carecemos de objetivo - pois se este existisse, não estaríamos tão obcecados com o bem-estar!

No fundo sentimos que tudo já foi feito. O que resta agora é viver pacientemente e com o mínimo de dor possível. Queremos experimentar as infinitas opções de prazer ao nosso alcance; lemos as biografias dos grandes homens do passado como se fossem mercadoria para o nosso entretenimento; vivemos o presente, utilizamos o passado como lição (não como motivação) e desprezamos o futuro.