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Mundo Interessante

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As qualidades de D. Afonso II


"É tão significativa a política deste príncipe que não seria fácil conceituá-la de dois modos diversos. Legislador, quase sem excepção as suas leis tendem a fortificar o poder real. Foi a primeira de todas a declaração solene de que a ele era inerente a suprema magistratura judicial e de que os juízes não eram mais do que representantes seus.

Vimos como as outras manifestações da sua alma, os atos próprios e espontâneos reproduziam sempre a ideia capital que o guiava. Tímido para a guerra estrangeira, era audaz e firme contra as resistências domésticas tendentes a coarctar-lhe a autoridade ou a ferir os interesses do fisco. Absolutamente falando, as confirmações gerais e os inquéritos sobre o estado da fazenda pública representam um pensamento de organização e de ordem; mas, se atendermos às circunstâncias em que ainda se achava a nação, aos motivos que os haviam suscitado e à frouxidão em prosseguir no antigo sistema de dar força e energia ao povo por meio das instituições municipais, é licito crer que essas e outras providências análogas patenteiam mais os impulsos do interesse pessoal do que o desejo de constituir e ordenar a sociedade civil. Afonso teve dois dotes eminentes, a economia e a firmeza governativa, teve-os, até, com excesso; mas esses dotes estavam longe de bastar à necessidade dos tempos, e os sucessos posteriores provaram que os esforços do príncipe para tornar o trono mais sólido e independente surtiram bem pouco efeito."

in História de Portugal de Alexandre Herculano